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Pronto atendimento digital (PA digital): o que é

O pronto atendimento digital, ou PA Digital, é uma possibilidade na área da saúde que aumenta o acesso ao cuidado por meio da tecnologia.

Com o aumento da demanda por atendimento imediato, cada vez mais acompanhamos o surgimento de serviços de saúde como esse, que encurtam a distância entre paciente e equipe médica. 

Esse movimento também aparece nos números: segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 3,2 milhões de atendimentos de telessaúde em 2025, um resultado 36,59% acima da meta prevista pelo governo.

No artigo a seguir, explicamos como funciona o PA Digital e os benefícios que ele traz para a continuidade do cuidado, a redução de filas e a agilidade para iniciar tratamentos.

O que é PA digital?

PA digital significa pronto atendimento digital, uma modalidade de atendimento em saúde à distância, que permite ao paciente receber avaliação, orientação e encaminhamento de um profissional sem precisar se deslocar inicialmente até uma unidade de saúde presencialmente.

Durante o período de pandemia e pós-pandemia da COVID-19, o uso de serviços de saúde pela internet passou a ser cada vez mais frequente na rotina de uma parcela relevante da população.

Segundo pesquisa divulgada pelo Cetic, 37% dos usuários de Internet com 16 anos ou mais procuraram informações ou utilizaram serviços de saúde pública online em 2025, ante 32% no ano anterior. 

Entre as atividades buscadas estão agendamento de consultas, o acesso a medicamentos e outros serviços de saúde.

No Brasil, esse tipo de atendimento também possui respaldo legal. A Lei nº 14.510/2022 regulamentou a telessaúde no país e estabeleceu princípios como consentimento do paciente, confidencialidade das informações, segurança e autonomia profissional.

No caso da telemedicina, a Resolução CFM nº 2.314/2022 determina que cabe ao médico avaliar se o atendimento remoto é adequado para cada situação. 

Dessa forma, o PA Digital pode solucionar demandas compatíveis com o atendimento a distância ou indicar a necessidade de avaliação presencial quando necessário.

Como funciona o PA digital?

O pronto atendimento digital permite que o paciente procure assistência de saúde de forma remota, geralmente sem necessidade de agendamento prévio. 

O fluxo começa pela solicitação do atendimento em uma plataforma digital, onde podem ser coletadas informações iniciais sobre sintomas, histórico de saúde e motivo da procura por atendimento.

A partir dessas informações, o paciente é direcionado ao profissional mais adequado e realiza a consulta por vídeo, áudio ou outro canal disponível.

Durante o atendimento, o profissional avalia o quadro, fornece orientações e define a conduta necessária. 

Quando indicado, também podem ser emitidos documentos médicos, como prescrições e atestados digitais, seguindo os requisitos aplicáveis à telemedicina. A Resolução CFM nº 2.314/2022, por exemplo, determina que documentos médicos emitidos a distância sejam registrados em prontuário e utilizem assinatura digital dentro dos padrões legalmente aceitos.

Caso a avaliação indique a necessidade de exame físico, exames complementares ou assistência que não possa ser oferecida remotamente, o paciente deve ser encaminhado para uma unidade presencial. 

A própria regulamentação da telemedicina pelo CFM estabelece que cabe ao médico avaliar quando o atendimento remoto é adequado e indicar atendimento presencial diante da existência de riscos.

Quais são as limitações do PA Digital para continuidade do cuidado?

O PA Digital pode facilitar o acesso a uma primeira avaliação médica, principalmente por permitir que o paciente procure atendimento de forma remota e sem precisar se deslocar até uma unidade física.

No entanto, essa facilidade de acesso não significa, necessariamente, continuidade do cuidado para todos os pacientes. 

Em muitos modelos de pronto atendimento digital, a proposta está concentrada em resolver uma demanda pontual naquele momento, e não em acompanhar a evolução da saúde do paciente ao longo do tempo.

Isso acontece porque cada novo atendimento pode ser realizado por um profissional diferente, que não possui vínculo prévio com o paciente. 

Além disso, caso surja uma dúvida depois da consulta, haja mudança nos sintomas ou seja necessário reavaliar a conduta adotada, nem sempre existe a possibilidade de retornar diretamente ao mesmo profissional.

O registro em prontuário também não garante, por si só, que exista continuidade. Para que as informações de uma consulta realmente contribuam para os próximos atendimentos, é necessário que estejam acessíveis aos diferentes profissionais envolvidos e que sejam consideradas na condução do cuidado.

Quando os serviços utilizam sistemas que não se comunicam entre si, por exemplo, parte desse histórico pode permanecer fragmentada entre diferentes plataformas. 

Assim, mesmo que existam registros individuais das consultas, a jornada do paciente continua dividida.

Outro ponto importante é o acompanhamento após o atendimento. Em um modelo focado apenas na demanda imediata, pode não haver um contato posterior para verificar se os sintomas melhoraram, se o tratamento indicado foi seguido, se os exames solicitados foram realizados ou se uma hipótese diagnóstica precisa continuar sendo investigada.

Por isso, o PA Digital pode ser uma ferramenta importante para ampliar o acesso e resolver necessidades pontuais, mas a continuidade do cuidado depende de uma estrutura mais ampla, que envolve a integração das informações, acompanhamento após a consulta, coordenação entre diferentes profissionais e possibilidade de construir uma linha de cuidado ao longo do tempo.

É justamente nesse ponto que modelos de saúde digital mais integrados, como a Ana Health, se diferenciam de um pronto atendimento exclusivamente reativo, ao buscar conectar o primeiro contato às próximas etapas da jornada do paciente.

Quais são os benefícios do PA digital?

O avanço da telemedicina ajuda a dimensionar o espaço que o atendimento remoto já ocupa na vida das pessoas e seus benefícios. 

Segundo dados do Painel de Indicadores da Saúde Digital, mais de 7,98 milhões de teleatendimentos foram realizados entre 2020 e 2025 no país, com 72,96% das demandas resolvidas no ambiente digital, sem encaminhamento presencial. 

As principais benefícios do pronto atendimento digital incluem também:

  • Mais agilidade no acesso: o paciente pode procurar assistência de onde estiver, reduzindo deslocamentos e o tempo necessário para chegar a um primeiro atendimento;
  • Resolução remota de demandas compatíveis: quadros que não exigem exame físico ou intervenção presencial podem, após avaliação profissional, ser orientados e conduzidos digitalmente;
  • Melhor direcionamento dos pacientes: quando o problema exige atendimento presencial, a avaliação inicial pode ajudar a indicar o nível de assistência mais adequado;
  • Menor pressão sobre estruturas presenciais: demandas que podem ser solucionadas remotamente deixam de ocupar desnecessariamente outros pontos da rede de atendimento, evitando sobrecarga de profissionais e infraestrutura;
  • Registro digital do atendimento: consultas, prescrições e encaminhamentos podem ser registrados digitalmente, embora a falta de interoperabilidade entre sistemas e registros incompletos possa dificultar o uso dessas informações por outros profissionais.
  • Maior alcance assistencial: o modelo facilita o acesso de pessoas que enfrentam dificuldades de deslocamento ou vivem longe de determinados serviços de saúde;
  • Mais dados para a gestão: instituições podem acompanhar indicadores como volume de atendimentos, tempo de resposta, resolutividade, encaminhamentos e satisfação dos pacientes.

Quais casos podem ser atendidos em um PA digital?

No pronto atendimento digital, casos de baixa e média complexidade são atendidos.

De maneira geral, o  PA digital é indicado para casos de baixa e média complexidade que não apresentem sinais de urgência ou emergência. Entre os exemplos estão sintomas gripais leves, dor de garganta, queixas gastrointestinais sem sinais de gravidade, dores leves, sintomas urinários, alergias, alterações de pele e dúvidas sobre medicamentos.

Quando necessário, o profissional também pode orientar exames, realizar encaminhamentos ou indicar atendimento presencial. 

Os casos com sinais de alerta, necessidade de exame físico imediato ou risco de agravamento devem ser avaliados presencialmente.

Quando o paciente deve procurar um pronto atendimento presencial?

Como vimos, o PA digital não substitui serviços de urgência e emergência. Por isso, situações que envolvem risco imediato à vida, possibilidade de agravamento rápido ou necessidade de exames e intervenções presenciais devem ser feitas em uma unidade física ou para os serviços de emergência.

Entre os sinais e situações que exigem atenção imediata estão dor súbita ou intensa no peito, dificuldade importante para respirar, perda de consciência, crises convulsivas, hemorragias, intoxicações, queimaduras graves e acidentes ou traumas importantes. 

Sinais sugestivos de AVC, como alteração repentina da fala, perda de força ou formigamento em um lado do corpo, alterações da visão ou perda súbita de equilíbrio, também exigem atendimento de emergência.

O Ministério da Saúde orienta que situações de urgência ou emergência com risco de morte, sequelas ou sofrimento intenso sejam direcionadas ao SAMU 192 ou ao serviço de emergência adequado.

Quais tecnologias fazem parte do PA digital?

O funcionamento de um pronto atendimento digital depende da integração de diferentes recursos. Entre os principais estão:

  • Plataformas de teleconsulta: permitem realizar atendimentos por vídeo, áudio ou outros canais de comunicação;
  • Sistemas de triagem digital: coletam informações iniciais e ajudam a organizar e direcionar a demanda;
  • Prontuário eletrônico: registra histórico, sintomas, avaliações, condutas e demais informações assistenciais;
  • Prescrição e documentos digitais: possibilitam emitir receitas, atestados e outros documentos conforme as regras aplicáveis;
  • Integração de sistemas: permite conectar informações entre atendimento, prontuário, agenda, prescrição, exames e outros pontos da jornada;
  • Automação: pode ser utilizada para confirmações, orientações, acompanhamento após a consulta e tarefas administrativas;
  • Inteligência artificial: pode apoiar atividades como organização de dados, coleta inicial de informações e identificação de demandas que precisam ser encaminhadas à equipe, sempre mantendo a decisão clínica sob responsabilidade do profissional.

PA digital e telemedicina: qual é a diferença?

Telemedicina é a prática da medicina mediada por tecnologias digitais, enquanto o PA digital é um modelo de atendimento que utiliza recursos de telemedicina para atender demandas de maneira ágil.

A telemedicina é um conceito mais amplo. Segundo a Resolução CFM nº 2.314/2022, ela pode envolver teleconsulta, telediagnóstico, telemonitoramento, teletriagem e outras modalidades. Portanto, uma consulta de acompanhamento previamente marcada também pode ser considerada telemedicina, mesmo sem fazer parte de um pronto atendimento digital.

No PA digital, essas tecnologias são organizadas especificamente para receber pacientes que apresentam uma necessidade de saúde naquele momento. 

O objetivo é oferecer uma primeira avaliação, solucionar remotamente os casos compatíveis e direcionar para atendimento presencial aqueles que exigem outros recursos assistenciais.

Como implementar um PA digital?

A implantação de um pronto atendimento digital exige mais do que disponibilizar uma ferramenta de videoconferência. Clínicas, hospitais, operadoras e serviços públicos precisam estruturar toda a operação investindo em tecnologia, processos assistenciais, segurança das informações e equipes para que o atendimento funcione de forma integrada.

Confira dicas de como fazer esse atendimento:

Escolha uma plataforma segura

A plataforma deve permitir não apenas a comunicação entre profissional de saúde e paciente, mas também o registro organizado das informações clínicas, controle de acesso, armazenamento seguro dos dados e integração com outros sistemas utilizados pela instituição.

A regulamentação do CFM para telemedicina determina que dados e imagens utilizados neste tipo de atendimento sejam preservados com requisitos de integridade, confidencialidade, privacidade e sigilo profissional. Os atendimentos também precisam ser registrados em prontuário.

Estruture os fluxos assistenciais

No pronto atendimento digital, é necessário definir o que acontece desde o início do atendimento do paciente até o encerramento. Isso inclui estabelecer critérios de triagem, prioridades, profissionais responsáveis, protocolos para encaminhamento presencial e procedimentos para situações de urgência e emergência.

Também devem existir fluxos claros para prescrições, solicitações de exames, encaminhamentos e acompanhamento dos pacientes que precisam continuar sendo assistidos após o primeiro contato.

Capacite a equipe multidisciplinar

O atendimento remoto possui características próprias. Médicos, enfermeiros e demais profissionais envolvidos precisam saber utilizar as ferramentas digitais, registrar adequadamente as informações, identificar limitações da avaliação remota e reconhecer situações que devem ser transferidas para o atendimento presencial.

A capacitação também deve abordar comunicação a distância, segurança da informação e integração entre diferentes profissionais, evitando que o PA digital se transforme em um atendimento isolado dentro da instituição.

Garanta conformidade com a LGPD e regulamentações

Dados relacionados à saúde são classificados pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais como dados pessoais sensíveis e exigem proteção adequada. Por isso, na implantação do PA digital é necessário estabelecer controles sobre coleta, acesso, armazenamento e compartilhamento das informações dos pacientes.

A Lei nº 14.510/2022, que regulamentou a telessaúde no Brasil, determina que a modalidade respeite princípios como consentimento livre e informado, confidencialidade, responsabilidade digital e segurança da assistência. A legislação também estabelece a observância da LGPD e de outras normas relacionadas aos registros de saúde.

Além da legislação, a instituição deve observar as normas dos respectivos conselhos profissionais e manter processos para consentimento, registro das interações, autenticação, controle de acesso e resposta a incidentes de segurança.

Monitore indicadores de qualidade e desempenho

Acompanhar os resultados do PA digital é essencial para entender como o serviço está funcionando na prática e identificar oportunidades de melhoria ao longo da operação.

Indicadores de saúde como tempo médio para início do atendimento, taxa de abandono, resolutividade, volume de consultas, encaminhamentos para atendimento presencial e satisfação dos pacientes ajudam a instituição a avaliar a qualidade do serviço e a tomar decisões com base em dados.

Com essas informações, também fica mais fácil identificar gargalos, ajustar fluxos e entender quais etapas da jornada precisam de atenção.

O objetivo não é apenas aumentar a resolutividade, mas garantir que cada paciente seja direcionado para o tipo de atendimento mais adequado às suas necessidades.

Nesse sentido, a Ana Health une a conveniência do atendimento digital com a personalização e continuidade do cuidado, permitindo acolher, identificar e priorizar pacientes em uma mesma plataforma. 

Com o suporte de inteligência artificial, auxilia na coleta e organização das informações da anamnese, na classificação de risco e no planejamento de ações futuras. 

Além disso, a Ana Health permite personalizar linhas de cuidado e automatizar etapas do acompanhamento, ajudando as equipes a oferecer uma jornada mais organizada, preventiva e adequada às necessidades de cada paciente.

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